Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro.
Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem
solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria
pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por
limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava
para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer
para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não
ficava. Completo, partiu.
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você
ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você
não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando
eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo,
sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só
conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de
uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos
os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso
às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te
empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e,
de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando
algo assim como 'estou contente outra vez'.