terça-feira, 13 de agosto de 2019

CAIO


Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu.




Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A CULPA É DE TODOS NÓS


Pensei e repensei muito antes de escrever esse texto. Não sou partidária. Não mesmo. Não gostei do governo do PT em vários pontos. Também não gosto do governo do PSDB em outros vários. Mencionei esses dois porque neles abrangem os outros, pois ou estão coligados a um ou ao outro. Acho que ainda não achei um partido que eu possa acreditar.
No entanto eu ainda tenho fé que em alguns políticos em que eu possa dar um crédito de confiança. E isso não convém expor aqui. Como eu disse não sou partidária e não quero fazer propaganda de nenhum político em especifico. Mas assim como cada qual mostra seu ponto de vista, vou tentar mostrar o meu.
Vi (várias e várias vezes por diversas pessoas) uma publicação que dizia: “Você petista que não reconhece o governo Temer, bem-vindo. Passei 13 anos sem reconhecer o governo do PT e sobrevivi. Você também consegue, mas vai ter que trabalhar de verdade”.
Calma lá. O que o #% tem a ver com as calças? Perdoem-me a intenção da palavra de baixo calão, mas não dá pra segurar.
Se você não é petista como consegue apoiar o Temer? Ele não foi eleito o vice por causa do PT? O petista não o reconhecer e achar que é golpe dá pra entender, mas o contrário tá difícil. E o que o fato de ser petista tem relação com trabalhar? Será que a associação é devida há algumas pessoas que usam os sistemas de ajuda social como desculpa para nada fazerem? Mas o que isso tem a ver com quem está desempregado e com o fato de não acharem que esse governo será bom? Será que podemos generalizar? Será que é justo colocar tais termos? Será que dá pra afirmar que todos petistas não trabalham?
Sabe, temos que tomar cuidado com o que escrevemos.
Estou desempregada. Não sou petista. Não sou de esquerda. Não sou baderneira. Mas também não sou a favor ao governo do Temer. Logo vão me taxar de petista acomodada e vagabunda? Só que não, né? E mesmo que eu fosse petista, de esquerda, não seria critério para ser taxada. Logo, ninguém pode ser.
Durante muitos anos trabalhei e alimentei os bolsos tucanos, petistas e mais sei lá quais partidos que tem. Aí agora que sou contra um governo e acredito que o JUSTO seja reeleições, serei taxada de acomodada? Minhas ideologias não podem ser caracterizadas tão pifiamente assim. E falo das minhas, mas eu sou uma e sei que muitos estão na mesma situação que eu... Tanto na situação com emprego quanto de ideologia.
Vamos pensar: Dilma (PT) não foi boa e saiu (apesar de que discordo do processo de impeachment – o crime que ela cometeu após 48h de sua saída já fora aceito como legal, as tais pedalas, então aí tá difícil de acreditar em qualquer m&rd@ né). Até aqui ok, os que querem defender partidos e se nomearem de direita concordam. Mas como então aceitar seu vice? Um cara que foi eleito como vice de um petista e que governou em conjunto com a Dilma durante o tal crime de responsabilidade que ela cometeu? E o mais legal, ele poderá cometer o mesmo crime porque agora não é mais crime! Tem caroço nesse angu minha gente! Não é possível que seja tão difícil de acreditar assim. Fora que, já leram sobre o histórico politico dele? Não, né? Eu li! Vejam lá como ele passou por tudo e por todos envolvidos em escândalos.

O vice-presidente da República é eleito simultaneamente com o presidente, numa chapa única, e ambos tomam posse em sessão do Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a União, a integridade e a independência do Brasil.

Mas ok se tem gente que quer acreditar no cara, beleza, é seu direito. Mas todos têm direitos, ok também? Então vamos respeitar o direito de quem acha que o cara não serve. E parar com essa papagaiada que quem quer a saída dele é petista e que não quer trabalhar.
O que mais quero é trabalhar e não consigo. E não é por causa do PT não. Trabalhava na área de engenharia civil e as portas fecharam pra área não porque o PT é corrupto, mas porque o governo do estado, que é do PSDB, roubou tanto que teve que tirar vários projetos de andamento porque o dinheiro “acabou” (sem mencionar o quanto gastou horrores no mesmo projeto que depois foi jogado fora – isso mesmo, no lixo!). E todos sabem disso. E ninguém faz nada. E eu continuo desempregada.
Mas tá, agora estudo licenciatura em química e quero dar aula, sair de vez dos escritórios de engenharia. E a idiota aqui quer dar aula no estado, porque é onde precisa de professores, ainda mais de química, e o que acontece de novo? O governador do estado de São Paulo proibiu contratações de professores eventuais através do decreto  nº 61.466/2015  de 02/09/2015 (que é o que eu posso ser por ainda ser estudante) e vai dizer que é porque não tem dinheiro? Porque professor sobrando no estado que não é. E também não tem merenda. E também não tem metro. E também não em porra nenhuma.
Vai dizer que é TUDO culpa do PT? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!!!!!!!
A CULPA É DE TODOS NÓS. Inclusive sua e minha. Sabe por quê? Porque enquanto aceitarmos qualquer politico de qualquer partido que seja que não seja integro essa merda não vai melhorar. Enquanto não tiver a tal reforma politica, mas não feita pelos que lá estão, e sim por pessoas decentes, nada vai mudar. Entra PT, PSDB, PMDB, DEM, e sei lá mais o que e nada vai mudar.
Então assim, vou continuar dizendo FORA TEMER e lutando contra o que esteja errado. E não vou admitir ser caracterizada por partidária, acomodada ou qualquer coisa assim, pois garanto, que muitos que acreditam naquela frase (a qual me moveu a escrever isso aqui) ou não tem o que fazer e quer agradar a alguém, ou não tiveram a oportunidade de aprender a pensar com sua própria cabeça e ter em mente o que é pensar no próximo.



Em tempo: Lutando não significa só ir a passeatas, mas também:
  • Mesmo desempregada ir para uma sala de aula de cursinhos populares e dar aulas sem nada receber por isso (refiro-me a parte financeira, pois o animo dos alunos é um premio tão grandioso que poucos podem entender);
  • Ensinar meu filho que o que é dele é dele e dos outros é dos outros;
  • Votar em consultas públicas;
  • Destrinchar projetos indecentes de lei (como a escola sem partido, que merece considerações à parte) e divulgar seus absurdos;
  • Divulgar escândalos;
  • Fazer projetos de leis e coletar assinaturas para ser aceito na câmara;
  • Separar meu lixo para reciclagem;
  • Denunciar abusos de quaisquer espécies;
  • Não aceitar a criminalização das opiniões pessoais que não ofendem ou prejudiquem outrem;
  • Levar comida, roupa e produtos de higiene pessoal a moradores de rua (nem todo morador de rua é drogadinho-sem-causa-por-opção);
  • É me fazer ouvir e ouvir a opinião dos outros, e mesmo que eu não concorde respeitá-las;
  • É de fato agir com cidadania e ensinar aos políticos que podemos ser melhores do que somos;
  • E mil outras coisas que se eu for listar isso não acabará nunca.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Amizade, de Rubem Alves - Para Soninha


Há alguns anos dividi esse texto com uma grande amiga. Hoje não posso relembrar esse texto junto a ela, então resolvi dividir/apresentar a sua filha, Juliana.

Em memória de Sonia Benson.



A Amizade 
(Rubem Alves, do livro O Retorno e Terno)

Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo
que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma
intensidade incomum, da coisa rara que é a
amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que
a vida nos dá. A beleza da poesia, da música, da
natureza, as delícias da boa comida e da bebida
perdem o gosto e ficam meio tristes quando não
temos um amigo com quem compartilhá-las.
Acho mesmo que tudo o que fazemos na vida
pode se resumir nisto: a busca de um amigo, uma
luta contra a solidão...
Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe,
que li quando era jovem, e do qual nunca me
esqueci. Romain Rolland descreve a primeira
experiência com a amizade do seu herói
adolescente. Já conhecera muitas pessoas nos
curtos anos de sua vida. Mas o que
experimentava naquele momento era diferente
de tudo o que já sentira antes. O encontro
acontecera de repente, mas era como se já
tivessem sido amigos a vida inteira.
A experiência da amizade parece ter suas raízes
fora do tempo, na eternidade. Um amigo é
alguém com quem estivemos desde sempre. Pela
primeira vez, estando com alguém, não sentia
necessidade de falar. Bastava a alegria de
estarem juntos, um ao lado do outro.
"Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu
coração cantava 'Tenho um amigo, tenho um
amigo!' Nada via. Nada ouvia. Não pensava em
mais nada. Estava morto de sono e adormeceu
apenas deitou-se. Mas durante a noite foi
acordado duas ou três vezes, como que por uma
idéia fixa. Repetia para si mesmo: 'Tenho um
amigo', e tornava a adormecer."
Jean-Christophe compreendera a essência da
amizade. Amiga é aquela pessoa em cuja
companhia não é preciso falar. Você tem aqui um
teste para saber quantos amigos você tem. Se o
silêncio entre vocês dois lhe causa ansiedade, se
quando o assunto foge você se põe a procurar
palavras para encher o vazio e manter a conversa
animada, então a pessoa com quem você está
não é amiga. Porque um amigo é alguém cuja
presença procuramos não por causa daquilo que
se vai fazer juntos, seja bater papo, comer, jogar
ou transar. Até que tudo isso pode acontecer.
Mas a diferença está em que, quando a pessoa
não é amiga, terminado o alegre e animado
programa, vêm o silêncio e o vazio — que são
insuportáveis. Nesse momento o outro se
transforma num incômodo que entulha o espaço
e cuja despedida se espera com ansiedade.
Com o amigo é diferente. Não é preciso falar.
Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do
outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz
alegria independentemente do que se faça ou
diga. A amizade anda por caminhos que não
passam pelos programas.
Uma estória oriental conta de uma árvore
solitária que se via no alto da montanha. Não
tinha sido sempre assim. Em tempos passados a
montanha estivera coberta de árvores
maravilhosas, altas e esguias, que os lenhadores
cortaram e venderam. Mas aquela árvore era
torta, não podia ser transformada em tábuas.
Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a
deixaram lá. Depois vieram os caçadores de
essências em busca de madeiras perfumadas.
Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi
desprezada e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu.
Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes
se assentam sob a sua sombra e descansam.
Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua
inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas
não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel
presença silenciosa torna a nossa solidão uma
experiência de comunhão. Diante do amigo
sabemos que não estamos sós. E alegria maior
não pode existir.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Contato - Professora Miranda



Acredito que a educação verdadeira é a que faz sentido em nossas vidas e em nosso cotidiano.

O homem e o mundo são interacionista, ou seja, entender que somos parte de um todo é imprescindível para que nos desenvolvamos e nos tornemos sujeitos de nossas práticas.

Ao nos integrarmos em nosso contexto de vida, refletimos sobre ela e encontramos respostas aos desafiamos que encontramos. Isso é criar cultura, nada mais que a aquisição sistemática da experiência humana. Essa aquisição deve ser crítica e criadora e não simplesmente um armazenamento de informações justapostas que não são incorporadas totalmente a nós, indivíduos. Nossa participação na sociedade, na história, na cultura, se dará na medida de nossa conscientização, a qual implica tirar todos os mitos que envolvem nossa educação.

Para construirmos um conhecimento verdadeiro, é necessário integrar, refletir e se comprometer com nosso próprio contexto. Somos desafiados constantemente pela realidade e cada um desses desafios devemos responder de maneira original. Não há “receitas de bolo” ou “modelos de atuação”, mas sim tantas respostas quantos forem os desafios e possivelmente encontrando respostas diferentes para um mesmo desafio. Dependerá do contexto em se vive.

Respeitando a individualidade e se fazendo olhar para si mesmo, o conhecimento cria forma, não mais abstrata e inútil, mas sim vivenciada e carregada para sempre.

Para que uma ação educativa seja válida, essa deve preceder de um reflexão sobre o homem como análise do meio de vida desse Homem-Concreto a quem se quer ajudar para que se eduque.

O professor que entende que cada aluno é individual e merece ser visto e aceito como realmente é, com suas dificuldade e limitações, além de ter sucesso ao compartilhar seus conhecimentos, irá crescer e aprender muito com cada aluno seu. Irá formar uma sociedade mais consciente.

Com base nessa filosofia, busco traçar junto aos meus alunos o caminho que eles querem seguir, buscando o crescimento mútuo nesse processo de conscientização através dos estudos.

ESTUDO ESTEQUIOMÉTRICO DA EXTRAÇÃO DE FERRO NAS ÁGUAS DE POÇO ATRAVÉS DO GÁS CLORO



ESTUDO ESTEQUIOMÉTRICO DA EXTRAÇÃO DE FERRO NAS ÁGUAS DE POÇO ATRAVÉS DO GÁS CLORO 

Matheus Macedo; Priscila Araújo; Saphire de Souza 
Orientador: Rebeca Piumbiato Chaparro


FACULDADES OSWALDO CRUZ
Bacharelado e Licenciatura em Química



RESUMO: Este artigo tem como objetivo demonstrar métodos de identificação e o cálculo estequiométrico da remoção do ferro ferroso nas águas de poços. Mostra como o cloridrato de hidroxilamina e a orto-fenantrolina trabalham em conjunto para a identificação e como o gás cloro é bastante utilizado para oxidação do ferro e assim possibilitando sua filtragem. Também aborda complicações causadas pela alta quantidade de ferro na água usada principalmente para abastecimento. 

PALAVRAS-CHAVE: ferro; água de poço; estequiometria; gás cloro 




1 INTRODUÇÃO

Para atender a demanda de abastecimento de água que cresce diariamente, recorre-se a diversos meios. Da água que se tem disponível no planeta, a abundância é encontrada nas águas de poço (águas subterrâneas). Mesmo sendo onde se encontra menos elementos tóxicos e ser um recurso de baixo custo, há ainda a questão de que o ferro é encontrado em altas concentrações. Segundo a Norma Técnica da SABESP 010 de 2001 “o método colorimétrico da fenantrolina é adequado para análises de águas naturais ou tratadas e efluentes domésticos.”.

Com base nessas premissas, o objetivo deste trabalho é realizar um estudo estequiométrico da remoção do ferro através do uso do gás cloro, por ser um processo simples e de baixo custo utilizado para a o tratamento das águas.



2 FONTES DE FERROS NAS ÁGUAS

A principal forma de ferro encontrada é como óxido férrico insolúvel. O ferro na água é gerado a partir da reação de ferro com gás carbônico dando carbonato de ferro II, que é solúvel em água e facilmente encontrado em águas de poço com alta concentração de ferro.

A erosão do solo e chuvas aumenta o nível de ferro em água assim como efluentes industriais. Indústrias metalúrgicas costumam usar o método da decapagem para remoção da camada oxidada (ferrugem); esta que é procedida por banho ácido. O tratamento de água para abastecimento público, em vezes, é com coagulantes à base de ferro, o que gera aumento na sua concentração na água.



3 PRESENÇA DE ÍONS DE FERRO NA ÁGUA

O ferro é encontrado na água na forma de íons ferroso (Fe2+) e íons férrico (Fe3+). A forma ferroso é a mais frequente por ser solúvel, logo, tem maior concentração em água. A filtragem para trabalhar apenas com os íons ferroso é feita para determinar a concentração de ferro na água.



4 IMPORTÂNCIA NOS ESTUDOS DE CONTROLE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

Ainda que o ferro não seja tóxico, a alta concentração nas águas pode gerar danos à saúde humana, pois pode desenvolver ferro-bactérias contaminando biologicamente as águas que chegam para consumo humano, deixando-as com sabor e cor (amarelada). Além disso, pode formar depósitos nas canalizações e causar manchas em roupas e objetos.

A portaria 36 do Ministério da Saúde estabeleceu como padrão a concentração limite de ferro para 0,3 mg/L para a água ser considerada potável. De acordo com a NTS 010 da SABESP de 2001 “a determinação do ferro é importante no controle do tratamento da água e da conservação da rede de distribuição. É importante na exploração de novos suprimentos de água, podendo levar à rejeição de uma fonte. Se houver a presença de ferro deve-se decidir a necessidade de tratamento e o tipo a ser adotado”.



5 IDENTIFICAÇÃO DO FERRO NA ÁGUA 

A identificação do ferro nas águas se inicia com a redução do Fe3+ em Fe2+, com uma solução de Cloridrato de Hidroxilamina, um agente redutor, que auxilia na estabilidade do ferro dissolvido, mantendo-o sob a forma de ferro (II), conforme apresentado na Equação 1, por mais tempo, para reagir com a solução de Orto-Fenantrolina. Esta, ao reagir com Fe2+ oxida-o a Fe3+, formando um complexo de coloração vermelho alaranjado, característico, indicando a presença do metal, conforme Equação 2. 


4Fe3+ + 2NH2OH.HCl à 4Fe2+ + N2O + H2O + 4H++H2O (Equação 1)


(Equação 2)



O método colorimétrico em questão é aplicado para todas as formas de ferro, segundo método de ensaio da ABNT, para determinação de ferro em concentrações de 0,02 mg/L a 4,0 mg/L, sendo necessárias diluições das amostras, quando concentradas em valores acima de 4,0 mg/L, para leitura em espectro, em curva de transmitância ou absorbância em comprimento de onda de 510 nm construída a partir de padrões de construção de 0,5 mg/L a 4 mg/L de Fe, conforme mostra a Tabela 1.


Tabela 1: Construção da curva 

Padrão com comprimento de onda 510 nm, cubeta de 10 mm ou 20 mm


Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT



6 REMOÇÃO DE FERRO ATRAVÉS DO GÁS CLORO

O ferro pode se removido das águas por diversas formas, podendo escolher processos como aeração e filtração, aeração, sedimentação e filtração, coagulação química, sedimentação e filtração, entre outros. A escolha do método mais eficaz varia de acordo com as concentrações do metal, adquirida após sua identificação, em análises para o tratamento das águas.

O processo de sedimentação e filtração, por exemplo, é indicado preferencialmente quando as concentrações de ferro excedem a 10 mg/L, pois a carga excessiva de depósitos podem se acumular nos filtros, atrasando o processo, necessitando de mais lavagens para remoção. A troca iônica é utilizada para a remoção dos sais de ferro, através de zeólitos de sódio (minério com estrutura porosa, com capacidade de retenção seletiva).

O processo de tratamento mais comum e utilizado no Brasil é o de oxidação do ferro com o cloro, seguido da remoção do precipitado formado, através de filtração por areia ou carvão. Além de simples, a utilização do cloro auxilia na inibição de algas. A Tabela 2 mostra os processos mais adequados para a remoção do ferro.



Tabela 2: Processo adequado para remoção do ferro nas águas




Todas as quantidades requeridas para a oxidação do ferro solúvel (Fe2+) com cloro podem ser obtidas a partir de um cálculo estequiométrico, conforme apresentado na Equação 3. Segundo Cleasby (1983, apud MORUZZI, 2012, p. 34), para a oxidação de 1 mg/L de Fe2+ são necessários aproximadamente 0,64 mg/L de Cl2. Para representar estequiometricamente (Equação 3) foi adotado 0,001 g de Fe2+ para saber quanto se obtém de Cl2.



2Fe2+ + Cl2 + 6H2O à 2Fe(OH)3 + 2Cl- + 6H+ (Equação 3)






7 CONCLUSÃO

Água e o ferro são cruciais para a vida humana, porém em alta concentração o ferro pode gerar complicações ao organismo. O cloridrato de hidroxilamina ao reduzir o Fe3+ em Fe2+ o estabiliza para que possa reagir com a orto-fenantrolina e assim ser identificado o teor de ferro contido na água. Identificado a quantidade de ferro, o estudo estequiométrico mostra qual a quantidade de gás cloro necessária para o tratamento e remoção, ou seja, a cada 1 mg de ferro é necessário a utilização de 0,64 mg de gás cloro para a remoção.


8 REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13934: 1997. Água - Determinação de ferro - Método colorimétrico da ortofenantrolina. Rio de Janeiro. 3 Páginas

MORUZZI, R. B. Oxidação e remoção de Ferro e Manganês em Águas para fins de Abastecimentos Público ou Industrial–Uma Abordagem Geral. Revista de Engenharia e Tecnologia. V. 4, No. 1, Abril/2012 - Página 29 à 43

Norma Técnica SABESP NTS 010. Determinação de Ferro Total: Método da 1,10 Fenantrolina. São Paulo. Maio de 2001. Páginas 1, 3. Disponível em: http://www2.sabesp.com.br/normas/nts/nts010.pdf. Acesso em 13/09/01 


PIVELI, R. P. Aula 8 Ferro, Manganês e Metais Pesados em Águas. Disponível em: www.phd.poli.usp.br/LeArq.aspx?id_arq=736. Acesso em: 10/09/2015