sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Liberalismo X Keynesianismo

Entre as teorias que explicam ou recomendam certas posições do Estado em relação a seus direitos e obrigações, principalmente em relação às questões econômicas, estão o liberalismo e o keynesianismo. Essas teorias tentam explicar quais as funções do Estado, a melhor forma de organização e até onde o Estado deve interferir ou se omitir nas diversas situações sociopolíticas.

O liberalismo vigorou até os anos 30, do século XX, e baseou-se na idéia defendida por Adam Smith a respeito do argumento da “mão invisível”, onde o próprio capitalismo continha mecanismos racionais e eficientes de auto-regulação das condições socioeconômicas de uma sociedade. Assim, para os liberalistas, o Estado deveria se limitar a apenas duas coisas: cumprir os contratos e garantir a propriedade privada.

Essa “mão invisível” do capitalismo começou a ser criticada no final do século XIX, pois na verdade, a realidade vista era muito diferente da teoria liberalista. Neste caso, os mecanismos do capitalismo não eram racionais e eficientes no sentido de uma regulação social como a teoria pregava, talvez fossem apenas reguladores econômicos.

A teoria da “mão invisível” foi por água abaixo em um dos períodos mais difíceis da econômica mundial: a Crise de 29. Nessa época, o mundo inteiro se interrogou a respeito da eficiência do capitalismo. Após a crise, uma coisa ficou certa: a “mão invisível”, ou seja, os supostos mecanismos auto-reguladores do capitalismo não funcionavam.

Oferecendo uma saída para a crise vivenciada, John Maynard Keynes, em 1926, postulou sua teoria que rompia totalmente com a idéia liberalista do “deixai fazer”, afirmando que o Estado deveria sim, interferir na sociedade, na economia e em quais áreas achasse necessário. Assim, essa corrente baseada na intervenção do Estado, denominada Welfare State, reinou após o fim da Segunda Guerra Mundial, isso aliado ao fato da grande necessidade de recuperação dos países envolvidos na guerra.

A partir do final dos anos de 1960, com a crise dos países centrais, ocasionada pela acumulação intensiva e uma regulação monopolista, o keynesianismo também deixou a desejar, pois problemas como inflação e instabilidade econômica tornaram-se reais. A partir daí, nasceu o novo liberalismo, ou neoliberalismo, estabelecendo certo limite ao Estado, afirmando que a garantia da liberdade econômica e política estava ameaçada pelo intervencionismo.

O neoliberalismo afirmava que Estado e mercado são formas de organizações antagônicas e irreconciliáveis. As correntes do neoliberalismo tiveram influência no mundo inteiro. No Brasil, por exemplo, os governos de Fernando Henrique Cardoso tiveram claramente idéias neoliberalistas, um exemplo disso foram as várias privatizações de empresas públicas, pois nesse caso “Estado e mercado são formas antagônicas”.

Por Tiago DantasEquipe Brasil Escola.com

http://www.brasilescola.com/politica/liberalismo-x-keynesianismo.htm

A época pede... TOM ZÉ

Politicar
Tom Zé
Composição: Tom Zé


Bis Filha da prática

Filha da tática

Filha da máquina

Essa gruta sem-vergonha

Na entranha

Não estranha nada

Meta sua grandeza

No Banco da esquina

Vá tomar no Verbo

Seu filho da letra

Meta sua usura

Na multinacional

Vá tomar na virgem

Seu filho da cruz.

Meta sua moral

Regras e regulamentos

Escritórios e gravatas

Sua sessão solene.

Pegue, junte tudo

Passe vaselina

Enfie, soque, meta

No tanque de gasolina.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais:
Meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifíciosprovam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade.

Só depende de nós

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem apoluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando odesperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende só de mim."

(Charles Chaplin)

sábado, 23 de agosto de 2008

O Quase

Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, ás vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distancia e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia á duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu.



Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Alegoria X Tipo - Percepção de Mundos

Pela falta de tempo, algumas coisas não foram postadas que eu quereria que fossem.
No entanto, vou deixar para depois. Hoje resolvi dividir algo diferente, não exatamente algo que faça meus olhos brilharem vindo da leitura, música, filme, mas algo que observei nos últimos anos.

A percepção de mundo das pessoas.
Infelizmente, a maioria de nós, é deixada levar por alguns detalhes tão insignificantes que não percebe que o essencial foi deixado de lado.

Exemplos.

Estava lendo a revista Veja, do dia 06/08/08, e no fim tem um artigo FALANDO DIFÍCIL, do JR Guzzo. O texto fala da agressividade com que se trata o português, principalmente vindo da Política (começando pelo nosso ilustríssimo presidente que afirma, com muito orgulho, que não lê livros por ser algo chato – absurdo? Nem um pouco, quem pensaria algo diferente vindo do nosso presidente?) e o quanto isso, corrompe a linguagem, e corrompe, também, o pensamento. As pessoas se “encantam” por quem fala bonito, confundindo erroneamente, achando que essas são “pessoas cultas”. Cultura não é isso, palavras “bonitas” que na verdade você nem sabe o que quer dizer e se existem realmente. Cultura não é algo raso, superficial.

Outra fonte, que se enlaça na minha observação, é vinda de Gil Vicente, Em A Farsa de Inês Pereira, onde o que importa é o Estereótipo (Aparência) e não a Alegoria (Essência). E onde o cinismo é o foco. Trecho explícito, onde Inês é carregada pelo marido tolo (tolo de ingênuo, bom coração, apaixonado) nas costas diz: “MAIS VALE UM ASNO QUE ME CARREGUE QUE CAVALO QUE ME DERRUBE”.

Tanto no artigo como no mote, trazendo para o nosso dia-a-dia, é o que vemos de mais comum. O engano, cinismo.
Deixamo-nos enganar por belas palavras ou por aparências. Acreditamos, e muitas vezes cegamente, que aquele um é culto ou que sua “carcaça” é essencial.
Acostumamo-nos a “vestir” as características daqueles que temos como referencias. Seja intelecto ou físico. Levamos isso como a nossa verdade (o que na verdade, é uma verdade alheia e não pessoal).
Não podemos nos deixar levar pelas belas e tão bem entoadas palavras de algumas pessoas, acreditando naquilo como única verdade. Não podemos achar que a beleza externa é algo realmente importante, que tenha peso fundamental numa escolha.

Devemos ter cuidado com o que ouvimos. Existem muitos “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, existem muitas pessoas que usam de falácias para chegarem onde querem (e que nem sempre é algo verdadeiro). Temos que atentar que CADA um tem sua própria essência, que não precisamos seguir a trilha de outros, nem tudo o que ouvimos nos serve. Verdade é algo que tem que ser visto cautelosamente.
Devermos ter cuidado também para não esquecermos que nossa carcaça se transforma, envelhece, e a dos outros também. Que se o que tiver por “dentro” não for visto, o que sobrará daqui um tempo? Conteúdo é importante. Sim. O conteúdo.
Não é a palavra, é a essência.
Não é a aparência, é a essência, mais uma vez.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Gente Humilde

Depois de tanto tempo sem postar nada!
Vim dedicar uma música para minha minha Amiga "Priscila"
É isso ai Pri, obrigado mais uma vez pelo convite para participar do seu Blog.



Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo num subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar

São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar

Chico Buarque de Hollanda