segunda-feira, 21 de julho de 2008

Rimbaund

ADORMECIDO NO VALE
Tradução: Ferreira Gullar


É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.


Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.


Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.


E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito.



A ETERNIDADE
Tradução: Augusto de Campos


De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.


Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.


Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.


De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.


Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.


De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


Para mais... : http://www.avepalavra.kit.net/poesia/poesianet091.htm

Ouvindo: Madredeus - Haja o Que Houver

Um comentário:

Paulo disse...

Yes, this is it! Great writer and as him self, i'm seaching poems in the corners of live, just how it should be."