Pela falta de tempo, algumas coisas não foram postadas que eu quereria que fossem.
No entanto, vou deixar para depois. Hoje resolvi dividir algo diferente, não exatamente algo que faça meus olhos brilharem vindo da leitura, música, filme, mas algo que observei nos últimos anos.
A percepção de mundo das pessoas.Infelizmente, a maioria de nós, é deixada levar por alguns detalhes tão insignificantes que não percebe que o essencial foi deixado de lado.
Exemplos.
Estava lendo a revista Veja, do dia 06/08/08, e no fim tem um artigo FALANDO DIFÍCIL, do JR Guzzo. O texto fala da agressividade com que se trata o português, principalmente vindo da Política (começando pelo nosso ilustríssimo presidente que afirma, com muito orgulho, que não lê livros por ser algo chato – absurdo? Nem um pouco, quem pensaria algo diferente vindo do nosso presidente?) e o quanto isso, corrompe a linguagem, e corrompe, também, o pensamento. As pessoas se “encantam” por quem fala bonito, confundindo erroneamente, achando que essas são “pessoas cultas”. Cultura não é isso, palavras “bonitas” que na verdade você nem sabe o que quer dizer e se existem realmente. Cultura não é algo raso, superficial.
Outra fonte, que se enlaça na minha observação, é vinda de Gil Vicente, Em A Farsa de Inês Pereira, onde o que importa é o Estereótipo (Aparência) e não a Alegoria (Essência). E onde o cinismo é o foco. Trecho explícito, onde Inês é carregada pelo marido tolo (tolo de ingênuo, bom coração, apaixonado) nas costas diz: “MAIS VALE UM ASNO QUE ME CARREGUE QUE CAVALO QUE ME DERRUBE”.
Tanto no artigo como no mote, trazendo para o nosso dia-a-dia, é o que vemos de mais comum. O engano, cinismo.
Deixamo-nos enganar por belas palavras ou por aparências. Acreditamos, e muitas vezes cegamente, que aquele um é culto ou que sua “carcaça” é essencial.
Acostumamo-nos a “vestir” as características daqueles que temos como referencias. Seja intelecto ou físico. Levamos isso como a nossa verdade (o que na verdade, é uma verdade alheia e não pessoal).
Não podemos nos deixar levar pelas belas e tão bem entoadas palavras de algumas pessoas, acreditando naquilo como única verdade. Não podemos achar que a beleza externa é algo realmente importante, que tenha peso fundamental numa escolha.
Devemos ter cuidado com o que ouvimos. Existem muitos “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, existem muitas pessoas que usam de falácias para chegarem onde querem (e que nem sempre é algo verdadeiro). Temos que atentar que CADA um tem sua própria essência, que não precisamos seguir a trilha de outros, nem tudo o que ouvimos nos serve. Verdade é algo que tem que ser visto cautelosamente.
Devermos ter cuidado também para não esquecermos que nossa carcaça se transforma, envelhece, e a dos outros também. Que se o que tiver por “dentro” não for visto, o que sobrará daqui um tempo? Conteúdo é importante. Sim. O conteúdo.Não é a palavra, é a essência.
Não é a aparência, é a essência, mais uma vez.
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