Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1930 — Rio de Janeiro, 24 de outubro de 1959) foi uma cantora e compositora brasileira.Samba-canção ou bossa
Dolores Duran foi uma grande cantora e compositora do gênero samba-canção ou fossa (surgido na década de 30). Além de Dolores Duran e Maysa Matarazzo, destacam-se Nora Ney e Ângela Maria. O gênero samba-canção, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo. O samba-canção antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 50), com o qual Maysa já foi identificada. Mas este último, herdeiro do jazz norte-americano, representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia.
Canções de sucessos
A estréia em disco foi em 1952, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: Que bom será (Ailce Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marquez) e Já não interessa (Domício Costa e Roberto Faissal). Em 1953, gravou Outono (Billy Blanco) e Lama (Paulo Marquez e Ailce Chaves). Dois anos depois vieram, com o lançamento de Canção da volta (Antonio Maria e Ismael Neto) e Bom querer bem (Fernando Lobo) e Praça Mauá (Billy Blanco), Carioca (Antonio Maria e Ismael Neto). Em 1956 consegue um dos seus maiores sucessos como cantora: Filha de Chico Brito (Chico Anísio).
Foram consagradas também: Por causa de você, Solidão, Não me culpe, A noite do meu bem, Castigo e Fim de caso.
Dolores Duran, o amor, a dor e a música

O Brasil dos anos 50 durante o governo Juscelino Kubistchek vivia um período de luzes e esplendor em todas as áreas e a música popular teve nessa época uma de suas mais brilhantes gerações de artistas, compositores e intérpretes, que modificaram de forma substancial o ritmo evolutivo de nossa canção integrando-a a modernidade da época। Foi nessa ocasião que os programas de auditório lotavam os estúdios da Rádio Nacional do Rio de Janeiro onde se aplaudiam os novos astros como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Emilinha Borba e Marlene dentre outros. Nesse contexto histórico desencadeou-se também o movimento mais renovador de nossa música a Bossa Nova, portanto tínhamos um Brasil múltiplo com os sambas abolerados, e a harmonia e poesia renovadora da Bossa Nova.
Nesse ambiente surge uma estrela que tinha por nome de batismo Adiléia Silva Rocha, nascida no Rio de Janeiro em 7 de junho de 1930 e rebatizada com o nome artístico de Dolores Duran। Em 1940 apresentou-se no programa Calouros em Desfile de Ary Barroso na Rádio Tupi interpretando a canção latina Vereda tropical, talento precoce alcançou o primeiro lugar como jovem intérprete. Disposta a ganhar a vida como artista de rádio participou de inúmeros programas como cantora e atriz e aos 16 anos foi contratada pela Boate Vogue já com o pseudônimo de Dolores Duran sendo em seguida convidada por César de Alencar para se apresentar com atração permanente em seu programa na Rádio Nacional. Aos 22 anos em 1952 gravou seu primeiro disco com as músicas Que bom será de Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marques e Já não me interessa de Domício Costa e Roberto Faissal. Continuou lançando discos e em 1954 já conceituada no meio artístico gravou com muito sucesso Canção da volta de Antônio Maria e em 1955 apresentou-se em Punta del Este no Uruguai.
O talento de Dolores Duran, porém não ficaria direcionado apenas para o campo da interpretação, e sim também para o de compositora onde mostrou todo o seu talento em músicas que se eternizaram pela sua beleza। Um dos seus parceiros mais constantes nessa sua fase inicial de compositora foi Tom Jobim com quem compôs Se é por falta de adeus, Estrada do Sol e Por causa de você, esta um clássico de nosso cancioneiro.
Ah, você esta vendo só
Do jeito que eu fiquei e que tudo ficou
Numa tristeza tão grande
Nas coisas mais simples que você tocou
A nossa casa querida
Já estava acostumada guardando você
As flores na janela sorriam, cantavamPor causa de você
Olhe, meu bem, nunca mais
Nos deixe, por favorSomos a vida e o sonho
Nós somos o amor
Entre meu bem, por favor
Não deixe o mundo mal lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente, não fale, não lembre
Não chores meu bem
Em 1958 Dolores Duran apresentou-se em Moscou e Paris e de volta ao Brasil em parceria com o pianista José Ribamar lançou as músicas Quem sou eu, Idéias erradas, Pela rua e Se eu tiver। Continuando-se a apresentar em boates e também em televisão compôs sem parceria algumas de suas canções mais famosas como Castigo, Fim de caso, Solidão e A noite de meu bem, sendo esta um dos maiores clássicos românticos da história de nossa música popular.
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite de meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite de meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite de meu bem
Ah! Eu quero amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite de meu bem
Ah! Como esse bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda pureza que quero lhe dar
Apesar do reconhecimento de público e crítica, Dolores Duran tinha uma vida pessoal difícil o que lhe levava a constantes depressões, e foi justamente num desses momentos onde tudo parece irremediavelmente sem sentido que ela veio a falecer depois de uma profunda crise depressiva em sua residência na madrugada do dia 24 de outubro de 1959, por ingestão excessiva de barbitúricos, com apenas 29 anos.
Dolores Duran tornou-se com o passar dos anos uma das mais conceituadas compositoras brasileiras de todos os tempos, num país que não tem tradição de mulheres nesse campo de atividade। Seu nome é referência obrigatória quando se quer conhecer e estudar a vida brasileira na década de 50, os chamados anos dourados, em que ela como uma estrela, brilhou com tanta luz e intensidade, que até hoje seus raios iluminam todos os nossos caminhos embalados nas suas doces e suaves canções.
Luiz Américo Lisboa Junior
Itabuna, 13 de agosto de 2002
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